segunda-feira, 20 de julho de 2009

Sonho

A Flor do Sonho, alvíssima, divina,
Miraculosamente abriu em mim,
Como se uma magnólia de cetim
Fosse florir num muro todo em ruína.

Ó Flor que em mim nasceste sem abrolhos,
Que tem que sejam tristes os meus olhos
Se eles são tristes pelo amor de ti?! ...

Desde que em mim nasceste em noite calma,
Voou ao longe a asa da minha’alma
E nunca, nunca mais eu te esqueci...

Meus olhos hão-de olhar teus olhos tristes;
Só eles te dirão que tu existes
Dentro de mim num riso de alvorada!
E nunca se amará ninguém melhor:
Tu calando de mim o teu amor,
Sem que eu nunca do meu te diga nada!...
(Florbela)

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