sábado, 24 de julho de 2010

O Amor no terceiro milênio

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Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor. O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar. A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossas felicidades, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início do século.

O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino.

A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal. A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente. Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas.

Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa alguma. É apenas um companheiro de viagem. O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria, ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades.

E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.

Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se toma menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo...

"A pior solidão é aquela que se sente quando acompanhado"

(Flávio Gikovate)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A PAZ NASCE DO AMOR

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Eu sei que você quer Paz. Todo Espírito quer. Estou achando, porém, que você está tentando encontrar tua Paz em lugar errado. Paz é harmonia completa consigo e em si. Sentir-se pleno, grandioso e humilde. Se é paz que você procura, então faça Paz aqui, agora. Isso de querer Paz pro futuro não existe, porque Paz vem de atitude interior, e atitude interior não se planeja nem se adia. Age-se.


Agir como se já tivesse encontrado Paz. Viva como se a Paz já estivesse em você. Sinta o que ela é. Vamos então agir! Qual o movimento exterior que te deixa tranqüilo(a), em Paz? É uma melodia suave? É barulho de água correndo no riacho? É azul celeste deste céu que nos cobre com seu manto? Vamos então ouvir uma melodia suave. Agora relaxe. Baixe a guarda, você não será atacado(a). Não tem nada que falem ou que façam, que seja capaz de tirar você deste sentimento. Respire a Paz deste teu momento.

Agora pense e entenda que tudo e todos devem ser olhados como são. Se você olhar para si mesmo(a) e para outrem imaginando ser perfeito(a), estará em guerra com sua verdade. Se teu olhar busca a imperfeição, não poderá enxergar as qualidades. Não se julgue, não se classifique nem se compare. Apenas seja você. Usufrua o que tem e descubra o prazer em cada coisa que faz.

Deus te deu o livre arbítrio. O Pai não espera nada de você, você é quem sabe o que, quando e onde. Ele não manda você ser, ter ou fazer nada. As cobranças que temos neste nosso viver não são do Pai, são da sociedade em que vivemos. Esta sim diz para você ser, ter ou fazer. Agora pense, se o Pai não lhe faz exigências, quem é esta sociedade para fazê-lo?

O mundo é o que é, tem o sabor que tem, tem o cheiro que tem, às vezes é melhor, outras vezes, pior, mas é o mundo: não brigue com ele. O mundo precisa de Amor, não de briga. E vai amando... Faça tudo por amor, nada por obrigação. E se disserem que você tem obrigação, diga que só o Amor manda em você, porque ele é um sentimento irresistível que sai do seu peito e vai conduzindo você pelos rumos da vida. O dia em que você atende a este Amor que fala no seu peito é quando você descobre a verdadeira Paz.

Então que não seja a Paz uma palavra que você simplesmente diga, nem um ideal que você persiga. A Paz é um bem que você precisa e faz acontecer.


(Adaptado de Walkyria Garcia, 19/7/2010)